"IN THE VAN AGAIN..."
- Digão Monzon
- 20 de jul.
- 2 min de leitura
Vinte anos atrás, eu contava os minutos para entrar na van.
No bagageiro, guitarras, amplificadores, cabos e tudo aquilo que parecia indispensável para sobreviver ao próximo show. Lá dentro, um bando de caras espremidos, falando alto, rindo de qualquer coisa e tentando disfarçar a ansiedade pelo próximo palco.
O destino podia ser uma casa de shows, um festival improvisado ou algum lugar que nenhum de nós saberia encontrar novamente sem a ajuda de um mapa. O que importava era estar na estrada.
Hoje, o porta-malas continua carregado.
A energia também é muito parecida. Uma espécie de ansiedade difícil de explicar para quem não vive disso. Silêncio, definitivamente, continua não sendo uma opção.
A diferença é que agora a van vai cheia de câmeras, luzes, tripés, lentes, microfones e equipamentos que custam mais caro do que tudo o que a banda conseguiu juntar durante anos.
Se antes o show era a entrega, agora seguimos viagem para captar histórias e transformá-las em filmes.
E, para mim, isso faz todo sentido.
Talvez meus mundos nunca tenham sido tão diferentes quanto pareciam.
A estrada continua sendo feita de horários apertados, malas mal organizadas, conversas atravessadas, piadas repetidas e cafés aguados em postos de gasolina. Continua existindo aquele breve momento em que uma cidade desconhecida deixa de ser apenas um ponto no mapa e passa a ter nomes, rostos e histórias.
Também continua existindo a amizade com a pessoa local, aquela que pode durar exatamente um dia.
Ou não.
A banda me deu muitos amigos para a vida inteira.
O audiovisual também.
Nos dois casos, a gente chega sem conhecer direito o lugar, monta tudo, cria alguma coisa coletivamente e, poucas horas depois, desmonta, coloca o mundo de volta dentro da van e segue para a próxima cidade.
Talvez seja por isso que eu nunca tenha estranhado tanto essa vida.
Troquei o microfone da gritaria por um lapelinha escondido. Os amplificadores deram lugar às luzes. O palco virou locação. A música alta, muitas vezes, foi substituída pelo pedido de silêncio antes de gravar.
Mas continuo viajando com pessoas que acreditam no que estão fazendo.
Continuo contando os minutos para entrar na van.
E ela continua cheia.


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