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Antes do REC, vieram o punk, os cartazes, o rádio e a vontade de fazer acontecer.

Digão Monzon (sou eu) é jornalista, produtor audiovisual e desenvolvedor de projetos. Uma trajetória construída entre comunicação, cultura, imagem, palavra e punk rock.

Com o X na mão e um microfone (e ainda com cabelos) na virada de 1999 para 2000, no vocal da banda Bloodshot.
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Se você sabe o que é DIY, straight edge e underground, pode pular este parágrafo inteiro. Se continua por aqui, senta que eu vou te contar uma história.

Eu comecei nos anos 1990, desenhando cartazes de shows à mão, escrevendo fanzines e tirando xerox de tudo. Isso é parte do DIY — Do It Yourself, ou simplesmente: faça você mesmo.

Esse lance do X em tudo — no nome, no boné, na camiseta, na tatuagem — vem do straight edge, uma vertente da cultura punk marcada pela abstinência total de álcool e outras drogas. E lá se vão 30 anos sem beber nem fumar. Também são 30 anos de vegetarianismo.

Além disso tudo, sou marido, pai, filho, neto… É essa vivência inteira que eu levo para cada projeto.

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Rádio Cultura Foz

Não sei exatamente como começou, mas lembro de uma tarde de domingo, em pleno verão escaldante, quando alguns amigos e eu cruzávamos a Ponte da Amizade a pé, com as mochilas cheias de CDs.

Era uma espécie de muamba ao contrário: o contrabando voltando do Brasil para o Paraguai. Tudo para ajudar a fazer um programa em uma rádio pirata.

Pouco tempo depois, eu já tinha meu próprio horário semanal em uma rádio comercial — também no Paraguai — tocando apenas punk rock e hardcore.

Depois da faculdade de Jornalismo, a coisa ficou mais séria. Passei a apresentar um programa sindical semanal, cobrando o governo municipal, colocando autoridades contra a parede e abrindo espaço para atender a população ao vivo.

Mais tarde, o microfone mudou de lado. Tornei-me âncora de um programa semanal dedicado à divulgação das ações da prefeitura, na rádio mais tradicional da cidade. Foi o trabalho mais duradouro dessa trajetória no rádio: quatro anos no ar.

O microfone pode até ter mudado de lado, mas nunca perdeu a postura de amplificar a voz das minorias e gritar algumas verdades.

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Documentário

Essa história tem inúmeros começos.

Poderia começar pelos vídeos que fazíamos durante as viagens com o Bloodshot e a Artilleria Pesada, minhas bandas de hardcore. Poderia começar comigo odiando as matérias de vídeo na faculdade. Ou, ainda, com os cursos de cinema que vieram depois.

Mas minha narrativa favorita começa na necessidade.

Foi durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021, que encontramos nas transmissões ao vivo uma forma de levar informação institucional às pessoas, enfrentar fake news e boatos e oferecer algum alento durante os longos períodos de isolamento.

E não era só fazer live.

Criamos uma rotina de produzir matérias, gravar, editar e exibir tudo no mesmo dia, dentro das próprias transmissões. Era preciso entender o que estava acontecendo, encontrar a informação, organizar a narrativa e colocar o conteúdo no ar enquanto os acontecimentos ainda estavam em curso.

Naquela época, eu já não fazia parte da equipe de comunicação da Prefeitura, mas fui chamado para ajudar. Parece até clichê dizer isso, mas aquele chamado virou carreira.

Depois vieram os VTs, os filmes institucionais, os documentários, as séries e tantos outros projetos.

E sigo até hoje nesse meio: da primeira ideia ao roteiro, da gravação à entrega.

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